segunda-feira, 18 de abril de 2016

O ALEMÃO

Vejo minha mãe
Sem brilho nos olhos
Perdida em pensamentos
Embaralhados pelo alzheimer 
Com a única certeza
Do tempo demais
Se fazer dolorido, sofrido

Não entende a indiferença
A falta de tempo
Os compromissos assumidos
A sua solidão
Suas dores aumentadas
Seu tempo estendido
Seu leito prisão

Pássaro sem asas
Vê sua liberdade
Ceifada germanicamente
Perdendo o direito
Dos próprios sonhos
No tabuleiro de peças
Que já não sabe mais jogar

Sem mais expectativas
Observa com ansiedade
O tempo tão lento
Passar numa inércia
Cruel e sem propósito

Num surto de sanidade
Pergunta ao Ser Supremo
O porquê de tudo isso

Sem força, não reclama
Continua numa só posição
Reclamando suas dores
No seu mundo contido
Num leito solitário...

(Nane-18/04/2016)




Nenhum comentário:

Postar um comentário