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segunda-feira, 25 de maio de 2026
EU E DEUS
terça-feira, 31 de março de 2026
INTERSTÍCIO INFINITO
Que seja infinito
Enquanto dure...
Foi o que disse o poeta
Foi o que eu, na minha ignorância, discordei
Por acreditar que dura o infinito
Não compreendi que é o infinito que dura
No interstício de um tempo
Em que mora o amor
E dirás: mas ele se acabou, passou...
Então voltarás às lembranças esse tempo
Revivendo toda a intensidade sentida
E de novo sentirás...
E ouvirás a voz que diz: te amo
E dirás: também te amo tanto, tanto
O beijo inevitável e sôfrego
Dando início a eternidade de um momento
Na morada desse amor
O tempo é o Senhor de tudo
Passado, presente e futuro
Transita sem presilhas
Intrínseco nesse interstício
Faz da saudade vida
Revivida no infinito
Desse espaço que ainda perdura
E como disse Vinicius
Que seja infinito enquanto dure...
(Nane - 31/03/26)
quarta-feira, 25 de março de 2026
ODE A UM AMIGO
Me deu Deus
Num dia sem nada
Espera nenhuma
Sem nada a pedir
Chegou de mansinho
Bem devagarinho
Sarcástico, mas gentil
Incisível, mas concreto
Na mesa de um bar
Um Chopp gelado
Um papo que vai
Um papo que vem
A camisa encantada
Sorteada e ganhada
E de novo sorteada
É vida acompanhada
O tempo imperceptível
Acorrentando relações
Que a vida tenta romper
Sem conseguir
Os elos firmados
No apreço dos sentimentos
Resistindo às incertezas
De princípios dogmáticos
A certeza enraizada
Não se queda ao vendaval
A amizade embasada
É brisa que refresca enquanto sopra
És meu amigo
Sou tua amiga
És meu irmão
Sou eu, tua irmã
Escute o hino
Não. Não é o do Flu
É uma sublime sinfonia
Nos convidando à harmonia
Não sei o que foi que eu fiz
Mas se te ofendeu
Aceite minhas desculpas
Aceite meu perdão
Compreenda de uma vez só
Você está em mim
Trancado no coração
E da chave... sei não.
(Nane-25/03/26)
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
MARCAS DO QUE SE FOI
Então é Natal, a festa cristã. Logo depois vem o ano-novo, que, como diz Drummond, foi criado para enriquecer o gênio que o inventou.
Deus... quantos Natais e anos-novos eu passei! Revendo minha mãe, na sua dificuldade de "inventar" uma ceia para que sua "ninhada" de filhos não se decepcionasse. Uma árvore de Natal improvisada qualquer, um pedaço de carne suína, um doce inventado e barato qualquer...
Então o tempo passou. Seus filhos cresceram, as festas "subiram de nível". A velha senhora colheu seus frutos. Os filhos fizeram suas festas de final de ano. Ela sempre fez questão da casa cheia, enfeitada com as luzes de Natal. A mesa farta. Presentes aos pés da árvore (os dela, geralmente, eram notas de R$ 100 escondidas e disfarçadas, e ai se não ganhasse).
O quintal ficava cheio,eu ralava o dia inteiro. Lena me ajudava na cozinha, Didinho ficava encarregado dos enfeites natalinos. Leleco... desse só me lembro de reclamar da ausência do Mazinho numa noite de Natal em que ele (Mazinho) estava internado no hospital. Dini... "Acorda pra vida", vamos dar conta dessa ceia e dos comes e bebes do Réveillon Chicão cuidava de trazer algum pernil e a cerveja gelada (mas cada um tinha que pagar a sua).
NO quintal faltava espaço para o estacionamento dos carros. A noite virava criança. A criançada brincava e gritava extasiada. Cansados, alguns se iam, outros se embolavam num canto qualquer... e as festas continuavam no dia seguinte. As carnes na churrasqueira, as rabanadas curando ressacas, o dia primeiro da paz...
Acordo com os fogos anunciando 2026... Abro a janela: o quintal está vazio e escuro. Não, não foi um sonho. São só imagens retidas em minhas retinas...
FELIZ 2016!
(Nane - 01/01/2026)
REVOLTA DIVINA
Ah Deus...
Eu tento e quero acreditar
Não, não se irrite
Até porque, hoje sou eu a irritada
O senhor é pai
E eu sou filha
Então me diz
Porque tantas voltas que esse mundo dá
Eu tento entender, te juro
Mas cara, tu também pega pesado
Eu sou humana
E tu é Deus
Vou arcar com minha revolta
E tu, quem sabe, há de me explicar
Porquê Deus, as mães
Precisam desse tanto sofrer
Hoje, se eu pudesse
Te mandaria a merda
Mas... por um guerreiro
Te peço perdão.
(Nane 23/12/25)