terça-feira, 31 de março de 2026

INTERSTÍCIO INFINITO



 Que seja infinito

Enquanto dure...

Foi o que disse o poeta


Foi o que eu, na minha ignorância, discordei 

Por acreditar que dura o infinito


Não compreendi que é o infinito que dura

No interstício de um tempo

Em que mora o amor


E dirás: mas ele se acabou, passou...

Então voltarás às lembranças esse tempo


Revivendo toda a intensidade sentida

E de novo sentirás...


E ouvirás a voz que diz: te amo

E dirás: também te amo tanto, tanto


O beijo inevitável e sôfrego

Dando início a eternidade de um momento


Na morada desse amor

O tempo é o Senhor de tudo

Passado, presente e futuro

Transita sem presilhas 


Intrínseco nesse interstício

Faz da saudade vida

Revivida no infinito

Desse espaço que ainda perdura


E como disse Vinicius

Que seja infinito enquanto dure...


(Nane - 31/03/26)




quarta-feira, 25 de março de 2026

ODE A UM AMIGO

 Me deu Deus

Num dia sem nada

Espera nenhuma

Sem nada a pedir


Chegou de mansinho

Bem devagarinho

Sarcástico, mas gentil

Incisível, mas concreto


Na mesa de um bar

Um Chopp gelado

Um papo que vai

Um papo que vem


A camisa encantada

Sorteada e ganhada 

E de novo sorteada

É vida acompanhada


O tempo imperceptível

Acorrentando relações

Que a vida tenta romper

Sem conseguir


Os elos firmados

No apreço dos sentimentos 

Resistindo às incertezas

De princípios dogmáticos


A certeza enraizada

Não se queda ao vendaval

A amizade embasada 

É brisa que refresca enquanto sopra


És meu amigo

Sou tua amiga

És meu irmão

Sou eu, tua irmã


Escute o hino

Não. Não é o do Flu

É uma sublime sinfonia

Nos convidando à harmonia


Não sei o que foi que eu fiz

Mas se te ofendeu

Aceite minhas desculpas

Aceite meu perdão


Compreenda de uma vez só

Você está em mim

Trancado no coração

E da chave... sei não. 


(Nane-25/03/26)