Então é Natal, a festa cristã. Logo depois vem o ano-novo, que, como diz Drummond, foi criado para enriquecer o gênio que o inventou.
Deus... quantos Natais e anos-novos eu passei! Revendo minha mãe, na sua dificuldade de "inventar" uma ceia para que sua "ninhada" de filhos não se decepcionasse. Uma árvore de Natal improvisada qualquer, um pedaço de carne suína, um doce inventado e barato qualquer...
Então o tempo passou. Seus filhos cresceram, as festas "subiram de nível". A velha senhora colheu seus frutos. Os filhos fizeram suas festas de final de ano. Ela sempre fez questão da casa cheia, enfeitada com as luzes de Natal. A mesa farta. Presentes aos pés da árvore (os dela, geralmente, eram notas de R$ 100 escondidas e disfarçadas, e ai se não ganhasse).
O quintal ficava cheio,eu ralava o dia inteiro. Lena me ajudava na cozinha, Didinho ficava encarregado dos enfeites natalinos. Leleco... desse só me lembro de reclamar da ausência do Mazinho numa noite de Natal em que ele (Mazinho) estava internado no hospital. Dini... "Acorda pra vida", vamos dar conta dessa ceia e dos comes e bebes do Réveillon Chicão cuidava de trazer algum pernil e a cerveja gelada (mas cada um tinha que pagar a sua).
NO quintal faltava espaço para o estacionamento dos carros. A noite virava criança. A criançada brincava e gritava extasiada. Cansados, alguns se iam, outros se embolavam num canto qualquer... e as festas continuavam no dia seguinte. As carnes na churrasqueira, as rabanadas curando ressacas, o dia primeiro da paz...
Acordo com os fogos anunciando 2026... Abro a janela: o quintal está vazio e escuro. Não, não foi um sonho. São só imagens retidas em minhas retinas...
FELIZ 2016!
(Nane - 01/01/2026)